sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Asie Centrale - photos (Vol. 2)

Voyager, travailler ou tout simplement passer par les territoires de l'Asie Centrale implique l'existence de photos. Non pas par le seul motif de probablement ne plus retourner à ces endroits, mais surtout parce que les peuples, les gens, les monuments, les paysages en exigent.

C'est exactement ce qui s'est passé avec moi au cours des années que j'ai eu l'occasion de voyager dans ces parages de l'Asie Centrale et de la Route de la Soie.

Pendant plus de sept ans, mon exposition sous le titre "Regards d'Asie Centrale" ou tout simplement "Sur la Route de la Soie" a fait le tour en Belgique, dans plusieurs bâtiments de la Commission Européenne et ailleurs, ainsi qu'au Portugal (Matosinhos et Porto) vient de se terminer en apothéose avec la dernière exposition au Théâtre de Vila Real pendant tout le mois d'avril dernier.

Maintenant c'est fini ce parcours car j'estime que la limite de la patience du public et de moi-même pour regarder de près toujours les mêmes photos a été atteint. C'est le moment de les faire retourner à la "maison-mère" à Bruxelles, pour rejoindre la boîte où se trouvent les autres centaines de photos qui n'ont jamais reçu l'honneur d'une exposition publique.

Cependant, je trouve que les photos, après cette longue – trop longue! – période d'exposition ont acquis un statu propre, une certaine autonomie par rapport à son auteur. Par conséquent, elles méritent de continuer avec leur visibilité, maintenant en profitant des atouts des nouvelles technologies. J'ai décidé ainsi de les montrer ici.


(Chimbay, Karakalpakstan, Uzbekistan)


(Bazaar, Tashkent, Uzbekistan)


(Broadway, Tashkent, Uzbekistan)


(Broadway, Tashkent, Uzbekistan)


(Bukhara, Uzbekistan)


(Bukhara, Uzbekistan)


(Bukhara, Uzbekistan)


(Chimbay, Karakalpakstan, Uzbekistan)


(Fashion Show, Bukhara, Uzbekistan)


(Fashion Show, Bukhara, Uzbekistan)


(Handicraft, Bukhara, Uzbekistan)


(Aral Sea - landscapes, Karakalpakstan, Uzbekistan)


(Nukus, Karakalpakstan, Uzbekistan)


(Nukus, Karakalpakstan, Uzbekistan)


(Samarkand, Uzbekistan)

(Samarkand, Uzbekistan)


(Silk tapestry, Samarkand, Uzbekistan)


(Samarkand, Uzbekistan)


(Samarkand, Uzbekistan)


(Samarkand, Uzbekistan)


(Samarkand, Uzbekistan)

(Samarkand, Uzbekistan)

(Samarkand, Uzbekistan)

(Samarkand, Uzbekistan)


(Shahrisabz, Uzbekistan)


(Shahrisabz, Uzbekistan)

(Toutes les photos par J. Silva Rodrigues)


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

TELL ME WHY



("Mãos de militante", foto de J. Silva Rodrigues, Bruxelles, Dezembro 2008)

Vale a pena passar 3 minutos e 48 segundos para assistir a um dos momentos mais emocionantes de música que Youtube nos oferece. Declan Galbraith canta de forma simplesmente fabulosa, com uma voz bonita, cristalina, forte, de arrepiar e uma letra que nos obriga a reflectir, mesmo que não consigamos compreender tudo por estar em inglês, não importa! O importante é a força da mensagem e da reflexão!

Em http://www.youtube.com/, é fácil procurar este clip através do nome de Declan Galbraith. Vale a pena!

Tell me why

In my dreams, children sing
A song of love for every boy and girl
The sky is blue, the fields are green
And laughter is the language of the world
Then I wake and all I see is a world full of people in need


Tell me why, why does it have to be like this
Tell me why, why is there something I have missed
Tell me why, why 'cause I don't understand
When so many need somebody
We don't give a helping hand


Tell me why


Every day, I ask myself
what will I have to do to be a man
Do I have, to stand and fight
To prove to everybody who I am
Is that what my life is for?
To waste in a world full of war


Tell me why, why does it have to be like this
Tell me why, why is there something I have missed
Tell me why, why 'cause I don't understand
When so many need somebody
We don't give a helping hand



Tell me why
Tell me why
Tell me why
Just tell me why

Tell me why, why does it have to be like this
Tell me why, why is there something I have missed
Tell me why, why 'cause I don't understand
When so many need somebody
We don't give a helping hand


Tell me why does the tigers run?
Tell me why do we shoot the gun?
Tell me why do we never learn?
Can someone tell us why we let the forests burn


Why do we say we care?
Tell me why
Why do we stand and stare?

Tell me why
Why do the dolphins cry?

Tell me why
Can someone tell us why we let the ocean die


Why if we're all the same?
Tell me why
Why do we pass the blame?

Tell me why
Why does it never end?
Can someone tell us why we cannot just be friends

Why?

Why?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ásia Central - Central Asia: Fotografias - Photographs (vol. I)



Viajar, trabalhar, ou simplesmente passar por terras da Ásia Central implicam quase que necessariamente a existência de fotografias. Não que exista  - apenas! - a pressão de se fotografar como acontece sempre que temos a sensação de não mais voltar àqueles lugares, mas porque as gentes, os monumentos, as paisagens pedem um registo.

Foi isto que aconteceu comigo durante os vários anos que me proporcionaram várias viagens à Ásia Central e à Rota da Seda.

Durante cerca de sete anos, exibi em diversos locais mais de cinquenta fotografias a que decidi, pomposamente, ligar as referências de Ásia Central ou Rota da Seda. As fotografas "viajaram" em Bruxelas, em diversos locais da Comissão Europeia e não só, e também em Portugal: Matosinhos, Porto e por fim no Teatro de Vila Real. Foi com esta última exposição que esteve patente durante o passado mês de Abril de 2009 que me pareceu ter sido atingido o limite máximo de paciência que posso pedir ao público para apreciar as minhas fotografias sobre esta parte do mundo.

As fotos regressaram agora à "casa-mãe", a Bruxelas, e estão juntas com muitas outras que nunca viram grande luz do dia, porque nem tudo se pode expor.

Mesmo que esta exposição ou o tempo de a expor tenha chegado ao fim - pelo menos para mim - parece que as fotos ganharam alguma autonomia em relação ao autor e por isso fervem dentro das molduras. Pedem para continuar o seu caminho, nem que seja por forma diferente do das exposições em galerias ou espaços públicos.

Com as vantagens da Internet e dos blogues, acho que as fotos encontraram o que pediam. Vou, por isso, passar a expô-las (por fases sucessivas) neste blogue. Esta é a apresentação do primeiro "volume". Os restantes serão provavelmente acompanhados de um texto semelhante a este, em inglês e em francês. Nada de pretensiosismos; trata-se apenas de tornar a comunicação também acessível aos meus amigos anglófonos, francófonos e outros que, por diversas razões, ainda não conhecem bem o português.

Ásia Central - Volume I


("Oltonay", ou "Golden Moon", 2004, Bukhara, Uzbekistan)



(Refeição típica Uzbeque, Bukhara, Uzbekistan)



(Vendedor de especiarias, Bukhara, Uzbekistan)


(Vendedor de galinhas, Bukhara, Uzbekistan)


(Vendedor de especiarias, Bukhara, Uzbekistan)



(Escola primária, Kurgan-Tyube, Khatlon, Tajikistan)


(Escola primária, Kurgan-Tyube, Khatlon, Tajikistan)


(Syrkhandarya, Uzbekistan)


(Syrkhandarya, Uzbekistan)


(Syrkhandarya, Uzbekistan)


(Syrkhandarya, Uzbekistan)



(Syrkhandarya, Uzbekistan)


(Syrkhandarya, Uzbekistan)


(Syrkhandarya, Uzbekistan)


(Bukhara, Uzbekistan)


segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O silêncio


(Foto, J. Silva Rodrigues, Hai Phong-Vietnam, Fevereiro 2009)



E o silêncio das searas
contrastava com o
despertar.

E a azáfama do trânsito
colidia com a
apatia da rotina.

Acordar para um
horizonte longínquo
e
cinzento.

Caminhar
numa bruma teimosa
em não se dissipar.

Alexis Tolstoi


(Foto, J. Silva Rodrigues, Porto, Maio 2005)

"As unhas e o cabelo foram dadas aos homens para lhes proporcionar uma ocupação constante."

(A. Tolstoi, 1817-1875)

Estou só


(Foto, J. Silva Rodrigues, Porto, Maio de 2009)


Estou só.

Digo que estou só,

E não que estou sozinho...

Estou só,

E basta!

Não são precisos sufixos,

Nem prefixos.

Até a solidão já é demais,

Acrescenta demasiado.

Só,

É como estou...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

José Saramago Prémio Nobel da Economia 2009


Todos os dias assistimos passivamente ao desenrolar de notícias, umas mais deprimentes e mais tristes do que outras: despedimentos, encerramento de empresas que até há pouco eram estrelas da economia florescente, empresas que um dia proporcionavam lucros fabulosos e no dia seguinte entram numa espiral de desastre, acumulando prejuízos atrás de prejuízos. Nos últimos dias assistimos, também impávidos (embora não serenos) e desarmados, ao drama de empregados da France Telecom que não encontram outra saída para a sua crise pessoal que não seja o suicídio. 24 suicídios num curto espaço de tempo!!! E a culpa parece não ser enjeitada por quem sonhou um dia poder reorganizar, optimizar, racionalizar uma grande empresa sem sequer provavelmente se colocar a questão sobre o facto de estar a mexer na vida dos empregados dessa empresa. O importante era racionalizar e não deixar baixar os lucros!!!

Chegou a época do ano em que são atribuídos os prémios pela Academia Nobel. Invariavelmente teremos as maiores sumidades da literatura, da ciência, enfim daquilo que mais requintado e fino supostamente existe no domínio do conhecimento humano. Tivemos já a atribuição dos Prémios da Medicina e da Física. Daqui por uns dias, à Química seguir-se-á a Literatura, a Paz e finalmente a Economia.

Todos os anos temos novas sumidades, cérebros que estiveram ocupados durante anos e anos a pensar, a repensar, a investigar e a tirar conclusões. Todos os anos temos um ou vários laureados com o Prémio Nobel da Economia. Todos os anos temos novas teorias, umas mais complexas do que outras, mas nem por isso menos interessantes. Contudo, uma coisa parece não sofrer contestação: o mundo da economia está cada vez mais complicado, parece ter cada vez mais segredos, oferece cada vez mais hostilidade e agressividade, sobretudo a quem desse mundo depende, ou seja, todos nós.

Apetece por vezes pensar que os economistas não são cientistas! Cientistas, esses sim são os filósofos! Os economistas passam o seu tempo a escrever leis – ditas leis da economia – que se adaptam ao mundo em que vivem. Não criam, ou inventam (como seria de esperar) fórmulas novas (para não dizer milagrosas) nem demonstram espírito inovador.

Se não fosse isto verdade, como se explicaria que as maiores catástrofes, como é esta crise económica e financeira internacional que todos conhecemos, surgissem praticamente inesperadamente, com consequências para as quais tardam os remédios e em relação às quais as maiores sumidades parecem viver em completo alheamento.

Se calhar deveríamos ter sumidades da economia vindas, não do mundo unicamente da academia económica, mas de outros sectores por ventura mais atentos ao mundo real, aplicando à letra o que de muito se falou recentemente: os impactos nas crises na economia real. Ora, parece que, do que falam as sumidades do mundo da economia nada ou pouco tem a ver com a economia real.

Há precisamente 11 anos Portugal teve um cidadão laureado com o Prémio Nobel da Literatura: José Saramago. Já nessa altura com o ar taciturno que o caracteriza e com cara de poucos amigos, José Saramago explicou como chegou ao ponto de escrever livros.

“Escrevo livros de que necessito para compreender. Enquanto autor, faço esta pergunta: “Mas o que é isto?” e não a pergunta clássica: “De onde vimos e para onde vamos?”. Para mim a verdadeira questão é “Quem somos nós?” E é para tentar aproximar-me um pouco mais, para tentar aproximar-me dessa sabedoria quiçá inacessível, que escrevo para dizer antes de mais: “Aqui estamos!” e perguntar aos leitores: “Quem sois vós?”

José Saramago encarnava nesta sua explicação dada aos alunos da Escola Europeia de Bruxelas, em Março de 1998, o cidadão que se coloca questões de princípio mas que, em regra, não fazem parte das frases célebres das ditas sumidades do conhecimento humano.

José Saramago, no seu raciocínio (por ele próprio considerado simplista) continuava: “Somos capazes de fazer uma fotografia de algo que se situa a 400 milhões de anos luz da Terra, com uma acuidade que é a acuidade do nosso olhar. Não temos a mesma acuidade suficiente para ver muito simplesmente o nosso semelhante, o que está ao pé de nós. A diferença está no facto de nós estarmos aqui e não no espaço sideral… Esta cegueira resulta de uma falha elementar: devíamos respeitar o próximo! O que nos falta é o respeito pelo próximo!”

Com base nestas premissas, que normalmente não levariam a lado nenhum porque se trata de ideias ou de resultados de observação empírica ao alcance de todos nós (ou praticamente todos) José Saramago vai mais longe e avança para a sua tese, essa sim absolutamente científica, na medida em que responde a dados seguros e provados e não merece contestação por parte da comunidade dita científica.

“Penso que o percurso que fazemos devia ser mais longo. Podem dizer-nos que a História não espera. Por isso, vivemos neste fim de século XX (estávamos em 1998) a uma velocidade e um progresso que aceleram de forma geométrica e não esperamos por aqueles que ficam para trás. Acho que temos que aceitar o progresso. Mas um progresso mais lento.

Antes de receber o Prémio Nobel da Literatura eu costumava dizer que era autor de teoria económica que um dia talvez me pudesse trazer o Prémio Nobel da Economia. É o que chamo “desenvolver para trás”! E para quê? Muito simplesmente para nos aproximarmos, nós os desenvolvidos, nós os cultos, nós que comemos três vezes por dia, daqueles milhões e milhões e milhões que ficaram e ficam para trás…”

Julgo que José Saramago, mesmo sem ter sido nomeado pela Academia, merecia ser o laureado do Prémio Nobel da Economia 2009.



(Todas as fotografias são de J. Silva Rodrigues, Bruxelas, Março de 1998)