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terça-feira, 7 de junho de 2011

Quando vier a Primavera


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.


Alberto Caeiro

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

TELL ME WHY



("Mãos de militante", foto de J. Silva Rodrigues, Bruxelles, Dezembro 2008)

Vale a pena passar 3 minutos e 48 segundos para assistir a um dos momentos mais emocionantes de música que Youtube nos oferece. Declan Galbraith canta de forma simplesmente fabulosa, com uma voz bonita, cristalina, forte, de arrepiar e uma letra que nos obriga a reflectir, mesmo que não consigamos compreender tudo por estar em inglês, não importa! O importante é a força da mensagem e da reflexão!

Em http://www.youtube.com/, é fácil procurar este clip através do nome de Declan Galbraith. Vale a pena!

Tell me why

In my dreams, children sing
A song of love for every boy and girl
The sky is blue, the fields are green
And laughter is the language of the world
Then I wake and all I see is a world full of people in need


Tell me why, why does it have to be like this
Tell me why, why is there something I have missed
Tell me why, why 'cause I don't understand
When so many need somebody
We don't give a helping hand


Tell me why


Every day, I ask myself
what will I have to do to be a man
Do I have, to stand and fight
To prove to everybody who I am
Is that what my life is for?
To waste in a world full of war


Tell me why, why does it have to be like this
Tell me why, why is there something I have missed
Tell me why, why 'cause I don't understand
When so many need somebody
We don't give a helping hand



Tell me why
Tell me why
Tell me why
Just tell me why

Tell me why, why does it have to be like this
Tell me why, why is there something I have missed
Tell me why, why 'cause I don't understand
When so many need somebody
We don't give a helping hand


Tell me why does the tigers run?
Tell me why do we shoot the gun?
Tell me why do we never learn?
Can someone tell us why we let the forests burn


Why do we say we care?
Tell me why
Why do we stand and stare?

Tell me why
Why do the dolphins cry?

Tell me why
Can someone tell us why we let the ocean die


Why if we're all the same?
Tell me why
Why do we pass the blame?

Tell me why
Why does it never end?
Can someone tell us why we cannot just be friends

Why?

Why?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O silêncio


(Foto, J. Silva Rodrigues, Hai Phong-Vietnam, Fevereiro 2009)



E o silêncio das searas
contrastava com o
despertar.

E a azáfama do trânsito
colidia com a
apatia da rotina.

Acordar para um
horizonte longínquo
e
cinzento.

Caminhar
numa bruma teimosa
em não se dissipar.

Alexis Tolstoi


(Foto, J. Silva Rodrigues, Porto, Maio 2005)

"As unhas e o cabelo foram dadas aos homens para lhes proporcionar uma ocupação constante."

(A. Tolstoi, 1817-1875)

Estou só


(Foto, J. Silva Rodrigues, Porto, Maio de 2009)


Estou só.

Digo que estou só,

E não que estou sozinho...

Estou só,

E basta!

Não são precisos sufixos,

Nem prefixos.

Até a solidão já é demais,

Acrescenta demasiado.

Só,

É como estou...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Temos mar!



O nosso mar

Temos mar bravo,
Mar com espuma,
Mar com força, e
Rochedos fortes e negros
Que podem com a força do mar.

Temos um mar manso,
Mar sereno e romântico.
Não temos mar deprimido,
Nem temos mar deprimente!

Temos um mar como deve ser!

Temos um mar a sério!

Temos mar!

(Leça da Palmeira, Boa Nova, 26 de Outubro de 2008)


"Às vezes, aqueles que gostam do mar dizem mal dele, mas sempre o dizem como se ele fosse mulher, "la mar"... o mar feminino, algo que entrega ou recusa favores supremos e, se tresvaria ou faz maldades, é porque não pode deixar de as fazer. A lua influi no mar como nas mulheres."
("O Velho e o Mar", de Ernest Hemingway)


"O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal."
(António Gedeão "Poema da Malta das Naus")